Cólera

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    A cólera é uma infecção diarreica aguda causada pela ingestão de água ou alimentos contaminados pela bactéria Vibrio cholerae, ou transmitida pela contaminação direta fecal-oral.

    História

    A cólera permaneceu restrita às planícies do delta dos rios Ganges e Brahmaputra, na forma endêmica, até o século IX, quando começaram a ocorrer as pandemias. Em 1855 se tem a primeira referência bem documentada de uma epidemia no Brasil, ocorrida após a chegada dos migrantes portugueses à cidade de Belém. De 1885 a 1895, a doença foi reconhecida nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
    Foram seis pandemias até 1923. A sétima pandemia teve início em 1961 na Indonésia, atingindo especialmente o continente africano, e segue até os dias de hoje. A cólera no Brasil chegou em 1991 pela região Norte e seguiu o mapa da exclusão social, afetando mais intensamente as comunidades com piores indicadores socioeconômicos.

    Epidemiologia/Fatores de risco

    O número de casos de cólera relatados pela OMS tem continuado elevado nos últimos anos. Em 2017, 1.227.391 casos foram notificados em 34 países, incluindo 5.654 mortes. Pesquisadores estimam que a cada ano ocorram 1,3 a 4 milhões de casos de cólera, e 21.000 a 143.000 mortes no mundo devido à cólera.

    Os principais fatores de risco para a cólera são:

    • Condições precárias de saneamento básico;
    • Consumo de água sem tratamento adequado;
    • Condições precárias de higiene pessoal;
    • Consumo de alimentos sem higienização ou manipulação adequadas;
    • Consumo de peixes e mariscos crus ou mal cozidos.

    As consequências de uma crise humanitária, como a interrupção dos sistemas de água e saneamento, ou o deslocamento de populações para campos inadequados e superlotados, podem aumentar o risco de transmissão da cólera.

    Sintomas

    Cólera é uma doença extremamente virulenta que pode causar diarreia aquosa aguda grave. Leva de 12 horas a 5 dias para a pessoa apresentar sintomas após a ingestão de alimento ou água contaminados. Afeta crianças e adultos e pode matar em horas se não for tratada.

    A maioria das pessoas infectadas pelo vibrião não desenvolve qualquer sintomas. Porém a bactéria permanece presente nas fezes por 1 a 10 dias e se espalha no ambiente, sendo potencialmente infecciosa para outras pessoas.

    Entre aqueles que desenvolvem sintomas (10-20%), a maioria tem sintomas leves a moderados, enquanto uma minoria desenvolve diarreia aquosa aguda com desidratação grave. Esta pode levar a morte se não tratada.

    Os sintomas aparecem de forma abrupta, com diarreia, acompanhada (ou precedida) por vômitos. As fezes são aquosas e volumosas, com elevado número de evacuações, chegando a mais de 20 nas 24 horas. Em 63% dos casos, as fezes se tornam esbranquiçadas, semelhante à água de arroz. Com o aumento da gravidade, as fezes tornam-se incolores com odor característico, semelhante a “peixe cru”.

    Principais sintomas:
    • Diarreia
    • Náuseas e vômitos

    A desidratação em decorrência da perda de líquidos pode levar a outros sintomas, como por exemplo:
    • Irritabilidade
    • Letargia
    • Olhos encovados
    • Boca seca
    • Sede excessiva
    • Pele seca e enrugada
    • Pouca ou nenhuma produção de urina
    • Pressão arterial baixa
    • Arritmia cardíaca
    • Desequilíbrio eletrolítico (perda de minerais do sangue)

    Diagnóstico

    O diagnóstico da cólera é realizado a partir do cultivo de amostras de fezes ou vômito.

    Tratamento

    É uma doença facilmente tratável. Feito com rehidratação oral, nos casos leves a moderados e, nos casos mais graves, com terapia endovenosa e antibiótico. Tem cura, mas se não receber tratamento pode levar o paciente ao óbito.

    Prevenção e Controle

    A prevenção consiste em práticas de higiene apropriadas, como lavar as mãos com água e sabão, preparação e armazenamento seguros dos alimentos e descarte adequado das fezes dos bebês.

    Durante surtos de cólera, campanhas de sensibilização devem ser organizadas e devem ser fornecidas informações à população sobre potenciais riscos e sintomas da cólera, cuidados para evitar a transmissão da doença, quando e onde relatar os casos suspeitos e onde receber o tratamento imediato caso haja aparecimento de sintomas.

    Vacina Oral da Cólera

    Existem três vacinas para cólera pré-qualificadas pela OMS: Dukoral®, Shanchol ™ e Euvichol®. Todas são de administração oral e requerem duas doses para proteção total.

    Mais de 30 milhões de doses da vacina têm sido usadas em campanhas de vacinação em massa. Atualmente, a vacinação é indicada apenas para populações de áreas com cólera endêmica, em situação de crise humanitária com alto risco para cólera ou durante surtos de cólera, sempre em conjunto com outras estratégias de prevenção e controle.

    Ending Cholera (O fim do cólera)

    Em 2014, o Global Task Force on Cholera Control (GTFCC), com base na OMS, foi revitalizada. O GTFCC é uma rede de mais de 50 parceiros ativos no controle global da cólera, incluindo instituições acadêmicas, organizações não-governamentais e agências das nações unidas. Um roteiro global para 2030 operacionaliza a nova estratégia global para o controle da cólera em nível nacional e fornece um caminho concreto para um mundo no qual a cólera não é mais uma ameaça à saúde pública. Ao implementar a estratégia entre agora e 2030, os parceiros da Força-Tarefa Global para Controle da Cólera (GTFCC) apoiarão os países para reduzir as mortes por cólera em 90%. Com o compromisso dos países, parceiros técnicos e doadores afetados pela cólera, até 20 países poderiam eliminar a transmissão de doenças até 2030.

    Leia mais:

    https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cholera
    http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/colera

    Última atualização: 14/05/19

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