OMS lista movimento antivacinas como ameaça à saúde

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Você já deve ter ouvido por aí ou até mesmo recebido alguma mensagem no WhatsApp incentivando pais a não vacinarem seus filhos. O movimento que se popularizou nos Estados Unidos, está espalhado pelo mundo todo e já chegou ao Brasil, trazendo grandes riscos à saúde da população.

O assunto é tão sério que a Organização Mundial da Saúde (OMS) listou o atraso ou recusa na aplicação das vacinas como uma das principais ameaças à saúde que o mundo enfrenta em 2019.

O resultado desse movimento é geralmente o mesmo. Crianças deixando de serem vacinadas e doenças que já estavam erradicadas voltando com tudo.

Na Austrália, por exemplo, cerca de 40 mil crianças não são vacinadas por causa da objeção dos pais. A Itália também está sendo atingida e até introduziu novas regras suspendendo a obrigatoriedade das vacinas para as crianças serem admitidas na escola.

No Brasil o cenário também está tomando proporções graves. No último ano, o país contabilizou 10.274 casos confirmados de sarampo, com 12 mortes registradas. Os surtos estão localizados nos estados do Amazonas e Roraima. Caso o Brasil não consiga reverter o quadro, pode perder o certificado de eliminação da doença, concedido pela Organização Panamericana de Saúde (Opas), em 2016. Esses surtos aconteceram pois o país não tinha a cobertura de vacinação adequada.

O BENEFÍCIO DAS VACINAS

Segundo a OMS, a humanidade fez avanços significativos nas últimas décadas quando o assunto é saúde global: a expectativa de vida aumentou em muitas partes do mundo, a pólio está à beira da erradicação e 6 milhões a menos de crianças menores de 5 anos de idade morreram em 2016, em comparação com 1990.

A vacinação tem uma parte importante nesses avanços, já que é uma das formas mais econômicas de se evitar doenças. Atualmente, previne-se de 2 a 3 milhões de mortes por ano, e outros 1,5 milhões poderiam ser evitados se a cobertura global de vacinação melhorasse.

O sarampo, por exemplo, registrou um aumento de 30% nos casos em todo o mundo. As razões para esse aumento são complexas, e nem todos esses casos se devem à hesitação vacinal. Mas, alguns países que estavam perto de eliminar a doença tiveram novos surtos, justamente pela falta de cobertura da vacina.

PANDEMIA GLOBAL DE GRIPE

Outra ameaça presente na lista da OMS é uma futura pandemia global de gripe. A instituição está constantemente monitorando a circulação dos vírus da gripe para detectar potenciais cepas pandêmicas: são 153 instituições em 114 países envolvidas na vigilância e resposta global.

Porém, é preciso ficar atento às recomendações da OMS, que anualmente indica quais cepas serão incluídas na vacina contra gripe para proteger as pessoas da gripe sazonal.

Geralmente, as vacinas contra o influenza são disponibilizadas no Brasil entre abril e maio para proteção em junho, período em que o vírus da gripe começa a circular com mais força. A vacina é oferecida gratuitamente pelo governo para pessoas que podem desenvolver reações mais graves ao vírus e disponibilizada na rede privada para o restante da população.

O SURGIMENTO DO MOVIMENTO ANTIVACINAS

As razões pelas quais as pessoas escolhem não vacinar são complexas. Um grupo consultivo de vacinas para a OMS identificou complacência, inconveniência no acesso a vacinas e falta de confiança como as principais razões para a hesitação.

Mas a popularização dessa teoria da conspiração se disseminou nos Estados Unidos e na Inglaterra, em 1999. Um médico britânico chamado Andrew Wakefield publicou uma pesquisa no prestigioso periódico científico The Lancet afirmando que a vacina tríplice (que nos resguarda de sarampo, caxumba e rubéola) estava associada às dificuldades de interação social e comunicação comuns entre os autistas.

Depois da divulgação dos resultados e da comoção com o assunto, vários outros estudos foram realizados e nenhum deles conseguiu chegar à mesma conclusão. Tempo depois, descobriu-se que o médico tinha fraudado os resultados. Ele perdeu a licença para trabalhar e o artigo foi retirado da publicação.

Os profissionais de saúde, especialmente os das comunidades, continuam sendo os conselheiros e influenciadores mais confiáveis ​​das decisões de vacinação, e devem ser apoiados para fornecer informações confiáveis ​​sobre as vacinas.

DE OLHO NO FUTURO

Em 2019, a OMS aumentará o trabalho para eliminar o câncer do colo do útero em todo o mundo, aumentando a cobertura da vacina contra o HPV, entre outras intervenções.

Esse também pode ser o ano da erradicação mundial da poliomielite. No ano passado, menos de 30 casos foram registrados no Afeganistão e no Paquistão, os últimos redutos do poliovírus. A OMS e os parceiros estão empenhados em apoiar estes países na vacinação de todas as crianças para erradicar definitivamente esta doença de todo o mundo!

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Marcia Breda
Jornalista e especialista em docência no ensino superior.

Leia Mais:
NewsWeek – https://www.newsweek.com/world-health-organization-who-un-global-health-air-pollution-anti-vaxxers-1292493
OMS – https://www.who.int/emergencies/ten-threats-to-global-health-in-2019
Saúde Abril – https://saude.abril.com.br/medicina/brasil-tem-10-274-casos-de-sarampo-e-pode-perder-certificado-de-eliminacao/
Por que o movimento antivacina não tem um pingo de sentido
Vacinas, Donald Trump e uma volta ao passado que ninguém deseja
https://g1.globo.com/bemestar/noticia/vacina-da-gripe-disponivel-no-brasil-protege-contra-virus-que-provocou-epidemia-nos-eua.ghtml

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