Violência contra a mulher e HIV: uma conexão relevante

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Já parou para pensar porque a violência contra a mulher tem uma ligação direta com o número de infectadas pelo HIV?

A violência contra mulheres e meninas é uma das principais causas de infecção pelo HIV. As mulheres jovens estão especialmente em risco, já que são vítimas de violência sexual, tráfico para exploração sexual, casamento infantil e outras práticas prejudiciais. O sexo coercivo aumenta o risco de contrair o vírus como resultado direto de trauma físico, lesões e sangramento.

A subordinação que muitas mulheres e meninas são submetidas em suas famílias ou até mesmo na sociedade acaba restringindo o acesso à informação sobre saúde sexual e reprodutiva, bem como o uso de serviços de saúde. O medo da violência faz com que muitas evitem serem testadas ou tratadas e também inibe sua capacidade de negociar práticas sexuais mais seguras.

As mulheres que vivem com o HIV podem ser marginalizadas, abandonadas por suas famílias ou parceiros, expulsas de suas casas, espancadas e até mesmo mortas em alguns países. Esse estigma impede que muitas procurem cuidados médicos básicos, até mesmo quando a violência está relacionada ao HIV.

DESIGUALDADE DE GÊNERO

A desigualdade de gênero também contribui muito para a disseminação do HIV entre as mulheres. Muitas vezes, elas têm menos informações sobre o HIV e menos recursos para tomar medidas preventivas.

Além disso, evidências sugerem que o casamento pode ser um grande fator de risco, especialmente para mulheres jovens e meninas. E mulheres que se reconhecem portadoras de HIV ainda lutam muito contra o estigma e a exclusão familiar e social.

Mesmo tendo o vírus, as mulheres geralmente assumem uma carga muito elevada de cuidado para outros doentes ou parceiros também infectados, sem deixar de lado a responsabilidade com os filhos ou o lar. Isso tudo reduz ainda mais as perspectivas de emprego ou investimento em educação.

Existem diferenças significativas tanto nas novas infecções por HIV entre as mulheres quanto na proporção de mulheres vivendo com HIV (acima de 15 anos) em comparação aos homens, e as diferenças são ainda mais notáveis ​​entre as mulheres jovens (15-24 anos) quando comparadas com homens da mesma faixa etária.

O QUE DIZEM AS ESTATÍSTICAS?

Dados compilados pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) mostram que cerca de 870 mil mulheres são infectadas por HIV todos os anos no mundo, e só metade tem acesso ao tratamento capaz de salvar vidas. Isso coloca a AIDS como a maior causa de mortes entre mulheres em idade reprodutiva (de 15 a 49 anos) globalmente.

Semanalmente, cerca de 7 mil mulheres jovens entre 15 e 24 anos são infectadas pelo HIV. Na África Subsaariana, três a cada quatro novas infecções são entre meninas com idade entre 15 e 19 anos. Aliás, mulheres jovens entre 15 e 24 anos têm o dobro de probabilidade de estarem vivendo com HIV do que homens.

Cerca de 35% das mulheres em todo o mundo sofreram violência física e/ou sexual em algum momento de suas vidas e em algumas regiões do mundo, as mulheres que sofrem violência são 1,5 mais suscetíveis a se infectar pelo HIV.

Segundo dados recentes apresentados pela Unicef na 22ª Conferência Internacional da Aids em Amsterdã, uma adolescente de 15 a 19 anos é infectada a cada três minutos com o HIV.

MULHERES COMO PROTAGONISTAS

Encontrar caminhos para integrar a igualdade de gênero e os direitos das mulheres em estratégias, políticas, orçamentos, instituições e estruturas de responsabilidade fazem parte das ações. Algumas iniciativas abordam justamente as múltiplas intersecções entre o HIV e a violência contra as mulheres. Outras promovem o acesso à justiça para mulheres no contexto do HIV, com foco em direitos críticos de propriedade e herança.

Uma ação nesse sentido é promovida pela ONU Mulheres, que traz perspectivas de igualdade de gênero e direitos humanos para o trabalho feito com mulheres portadoras de HIV. Eles avaliam ligações claras com fatores que impulsionam a epidemia, como a violência contra as mulheres, a negação de direitos legais e a participação limitada das mulheres na tomada de decisões. Uma das estratégia mais importante é capacitar as mulheres e garantir seus direitos para que possam se proteger da infecção, superar o estigma e obter maior acesso a tratamento, cuidados e apoio.

Os programas também ajudam a ampliar vozes de mulheres que vivem com o HIV, promovendo protagonismo, liderança e participação significativa em todas as decisões e ações para responder à epidemia.

Marcia Breda
Jornalista e especialista em docência no ensino superior.

Leia Mais:
https://g1.globo.com/bemestar/noticia/2018/07/25/uma-adolescente-e-infectada-pelo-hiv-a-cada-tres-minutos-diz-unicef.ghtml
https://unaids.org.br/estatisticas/
https://nacoesunidas.org/mais-de-850-mil-mulheres-se-infectam-com-hiv-todos-os-anos-no-mundo-diz-unaids/
http://www.unwomen.org/en/what-we-do/hiv-and-aids/facts-and-figures
http://www.unwomen.org/en/what-we-do/hiv-and-aids
http://www.unwomen.org/en/what-we-do/hiv-and-aids/violence-against-women

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