HIV em homens que fazem sexo com homens no Brasil

457

Segundo uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Ceará, financiada pelo Ministério da Saúde em 12 cidades brasileiras, um em cada cinco homens que fazem sexo com homens (HSH) tem HIV.

O termo homens que fazem sexo com outros homens (HSH) é usado na medicina para contemplar aqueles homens que não se identificam como gays, mas mantêm relações sexuais com homens e também precisam ser incluídos em campanhas de saúde pública.

Os resultados foram publicados na revista Medicine e um dado que chama atenção é que quase metade dos participantes foram submetidos ao teste pela primeira vez na vida.

As cidades analisadas foram Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Campo Grande, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Brasília teve a menor taxa de prevalência com 5,8% e São Paulo a maior, com 24,8%.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência de HIV na população brasileira geral é de 0,4%. Esse número passa para 18% na população HSH, de acordo com o estudo conduzido pela Universidade Federal do Ceará.

CAMPANHAS DE PREVENÇÃO

A alta prevalência de HIV entre homens que fazem sexo com homens também ocorre em outros países da Europa e Estados Unidos. Um dos principais motivos do aumento desse número no Brasil é a falta de campanhas preventivas para esse público. O conservadorismo político contribuiu muito para a diminuição das campanhas públicas e muitas ONGs acabaram fechando por falta de verba.

A falta de informação acaba levando muitos jovens a iniciarem a vida sexual sem orientação e conhecimento sobre o HIV. A queda no uso da camisinha também representa uma parcela desse aumento da prevalência do vírus.

PREVENÇÃO COMBINADA

Você já ouviu falar em prevenção combinada? A camisinha era, até pouco tempo atrás, o único meio disponível para evitar infecções pelo HIV. Mas novos métodos surgiram. Então, o uso de diferentes estratégias de prevenção — ao mesmo tempo ou de forma subsequente — é conhecido como “prevenção combinada”.

Entre os métodos  que podem ser combinados, estão a testagem para o HIV, que pode ser feita gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), em ONGs especializadas e laboratórios particulares; a profilaxia pré-exposição (PrEP); e a profilaxia pós-exposição (PEP); o tratamento do HIV, como forma de prevenção (indetectável = intransmissível); além do uso do gel lubrificante à base de água, que diminui o atrito no ato sexual e, consequentemente, a possibilidade de microlesões que funcionam como porta para o HIV; o tratamento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e hepatites virais; a imunização de pessoas vivendo com HIV; e programas de redução de danos.

A PrEP é a utilização do medicamento antirretroviral por indivíduos que não estão infectados, mas se encontram em situação de elevado risco de infecção.

Evidências científicas comprovaram que essa profilaxia é uma estratégia eficaz, com mais de 90% de redução da transmissão e sem nenhuma evidência de compensação de risco. Com o medicamento já circulando no sangue no momento do contato com o vírus, o HIV não consegue se estabelecer no organismo.

Já a profilaxia pós-exposição (PEP) é o uso do medicamento antirretroviral após uma situação de possível contato com o HIV. A PEP é oferecida gratuitamente em serviços de atendimento de emergência ou em Serviços de Atendimento Especializados (SAE).

A infecção por HIV não tem cura, mas o tratamento adequado pode evitar que as pessoas que vivem com o vírus desenvolvam a AIDS.

UM POUCO MAIS SOBRE PrEP

A profilaxia pré-exposição (PrEP) é o uso de medicamentos para o HIV tomadas por pessoas soronegativas para reduzir o risco de infecção pelo HIV.

O Truvada é atualmente o único medicamento aprovado para uso como PrEP. Truvada é um comprimido único que é uma combinação de dois medicamentos anti-HIV, tenofovir e emtricitabina.

Como já citamos acima, os medicamentos anti-HIV na PrEP impedem a replicação do vírus em seu corpo. Se você estiver exposto ao HIV, mas estiver tomando a PrEP corretamente, haverá altos níveis dos medicamentos para evitar que você contraia o HIV.

Se usada de forma consistente e correta, a PrEP pode praticamente eliminar o risco de você se infectar com o HIV. Uma série de estudos e pesquisas de grande porte continuam sendo realizados em todo o mundo para comprovar a eficácia da PrEP.

A pergunta que muita gente faz é: com a PrEP, é possível parar de usar camisinha? Bom, é importante lembrar que a PrEP protege você do HIV, mas não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Usar preservativo é a melhor maneira de prevenir outras ISTs, como gonorréia, clamídia e hepatite C.

QUEM DEVE TOMAR A PrEP?

A PrEP não é recomendada para todos e sim para pessoas que são HIV-negativas e mais em risco de infecção pelo HIV.

Você deve considerar a PrEP se:

– está em um relacionamento sexual contínuo com um parceiro que vive com o HIV, cujo HIV não é bem controlado;

– é um homem gay ou bissexual que tem vários encontros sexuais casuais e nem sempre usa preservativos;

– é um homem gay ou bissexual em um novo relacionamento sexual, mas ainda não está ciente do status de HIV de seus parceiros sexuais e não usa preservativos;

– não está usando preservativos com parceiros do sexo oposto cujo status de HIV é desconhecido e que estão sob alto risco de infecção pelo HIV (por exemplo, injetam drogas, têm múltiplos parceiros ao mesmo tempo ou têm parceiros bissexuais masculinos);

– compartilhou equipamentos de injeção ou participou de um programa de tratamento para uso de drogas injetáveis.

No Brasil, a PrEP está disponível no SUS desde 2017, para a população com risco de se infectar pelo HIV. O site prepbrasil.com.br oferece conteúdo específico sobre PrEP, com estudos, pesquisas e dúvidas mais frequentes.

Marcia Breda
Jornalista e especialista em docência no ensino superior.

Leia mais:

https://nacoesunidas.org/voce-sabe-o-que-e-prevencao-combinada-do-hiv/

https://g1.globo.com/bemestar/noticia/em-12-cidades-brasileiras-um-em-cada-5-homens-que-fazem-sexo-com-homens-tem-hiv-diz-estudo.ghtml

https://www.avert.org/hiv-transmission-prevention/prep

https://veja.abril.com.br/saude/hiv-1-em-cada-4-homens-que-fazem-sexo-com-homens-e-portador-do-virus/

http://prepbrasil.com.br/qual-o-tamanho-da-demanda-da-prep-no-brasil/