Cólera é o próximo desafio em Moçambique. Malária também preocupa após passagem do Idai

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Em Moçambique já se registaram 1052 infecções de cólera na sequência do Idai e 276 casos de malária nos três países afectados pelo ciclone: Moçambique, Malawi e Zimbabwe.

Conter o surto de cólera é o desafio das equipas médicas nas regiões afectadas pela passagem do ciclone Idai. Em Moçambique já se registaram pelo menos 1052 infecções, de acordo com o último balanço avançado pelo Governo moçambicano na segunda-feira. Desses, pelo menos 959 casos foram registados na cidade da Beira, uma das mais afectadas.

Em Beira, cidade com mais de meio milhão de habitantes, somaram-se 247 novas infecções em apenas 24 horas, entre domingo e segunda-feira. É, de longe, a região mais afectada, seguida de Nhamatanda, com 87 casos e Dondo, com seis casos de cólera, de acordo com os números das Nações Unidas.

Com estes novos dados, consegue estabelecer-se uma média de 200 casos de novas infecções por dia. Mas, apesar de o número de pessoas infectadas ter aumentado na última semana, até agora a cólera matou apenas uma pessoa.

Na segunda-feira, chegaram a Moçambique 900 mil unidade de vacinas orais contra a cólera, parte de uma campanha de vacinação promovida pela Organização Mundial de Saúde. Estas vacinas “devem atenuar o pico deste surto”, afirmou David Wightwick, líder da operação da Organização Mundial de Saúde em Beira, citado pela agência Associated Press. A vacinação deve arrancar já esta quarta-feira.

Para ajudar aos esforços, foram estabelecidos 11 centros de tratamento da cólera, informa o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês). Por enquanto, apenas nove deles estão operacionais, na Beira e noutras localizações.

Todos os casos de diarreia estão neste momento a ser tratados como se fossem cólera, informou o coordenador adjunto da missão humanitária das Nações Unidas em Moçambique, Sebastian Rhodes Stampa.

Endémica na região, a doença “manifesta-se de forma rápida e viaja de forma muito rápida também”, disse Stampa, citado pela Associated Press. O último surto de cólera em Moçambique registou-se entre 14 de Agosto de 2017 e 11 de Fevereiro de 2018, com 1799 casos reportados e uma morte, de acordo com os números da Organização Mundial de Saúde.

A cólera é uma doença provocada pela bactéria Vibrio cholerae, transmite-se pelo consumo de água e comida contaminadas, manifesta-se sob a forma de diarreia infecciosa e pode matar em apenas algumas horas, apesar de ser relativamente fácil de tratar.

“A cólera é o nosso desafio mais imediato”, disse David Wightwick. Aliada à desnutrição e à escassez de alimentos podem ser um cocktail fatal nesta situação. Mas as preocupações não se ficam por aqui. Para Wightwick, também é prioritário conter outras doenças como a malária.

Malária também preocupa os profissionais de saúde no local

As águas estagnadas, falta de higiene e saneamento são “terreno fértil” para a transmissão de cólera e malária, refere as Nações Unidas em comunicado. A falta de alojamento com qualidade poderá ditar o aumento do número de infectados com malária, porque deixa a população exposta ao mosquito que transmite o parasita.

“Há um alto risco de contágio de doenças transmitidas por parasitas, com 276 casos de malária reportados nas três áreas” afectadas pelo ciclone Idai, refere um comunicado das Nações Unidas. Neste momento, estão a caminho 750 mil redes mosquiteiras, assim como testes para a malária e medicamentos.

O ciclone Idai provocou mais de 800 vítimas mortais no conjunto dos três países mais afectados pela sua passagem: Moçambique, Zimbabwe e Malawi. Só em Moçambique, o número ascende aos 598 mortos.

De acordo com a última estimativa, o número de pessoas afectadas pelo desastre natural mantém-se nas 843.723 e o número de famílias beneficiárias de assistência humanitária é agora de 29.291. O grupo de pessoas afectadas inclui todas aquelas que perderam as casas, precisam de alimentos ou de algum tipo de assistência.

“O ciclone Idai atingiu uma vasta área que já sofria com a pobreza, seca e alterações climáticas”, lê-se num dos comunicados emitidos pelas Nações Unidas nos últimos dias. “As estimativas preliminares apontam para meio milhão de hectares de colheitas perdidas. A escassez de comida está a fazer com que os preços subam – na cidade da Beira, o preço de alguns alimentos essenciais subiu 500%. Até agora, ajudámos 100 mil pessoas com alimentos e vamos ajudar muitas mais.”

Quase 60 mil casas ficaram totalmente destruídas, e 34 mil parcialmente destruídas – sendo que a maioria delas são habitações de construção precária.

De acordo com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), o ciclone Idai provocou danos em mais de 3000 salas de aulas, que estão a afectar mais de 150 mil alunos.

FONTE: PÚBLICO

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