Vacinar ou não vacinar?

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Foto: Divulgação

Ainda que as vacinas apresentem altas taxas de eficiência na prevenção e no combate às doenças, os movimentos antivacina ou anti-vax vêm crescendo no mundo todo, inclusive no Brasil, que sempre foi exemplo por seu Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde, esses movimentos são perigosos pois ameaçam reverter o progresso alcançado no combate a doenças evitáveis por vacinação, como o sarampo e a poliomielite.

Os idealizadores da Infecto.Net, Antonio Flores e Laura Gastaud respondem algumas perguntas sobre as contradições do movimento antivacina e os desafios a serem enfrentados para uma maior cobertura vacional. Confira:

Recentemente, a OMS declarou o movimento antivacina como uma ameaça a saúde global. Por que esses movimentos seguem ganhando força no mundo? Quais são seus principais argumentos?
Antonio Flores: O movimento antivacina faz parte de um movimento mais complexo de negacionismo científico. São guerras narrativas baseadas em teorias conspiratórias com pouco embasamento factual. Os antivaxxers, como são chamados em inglês os contestadores das vacinas, atribuem riscos inexistentes ou baseados em pesquisas de baixa qualidade metodológica ou até mesmo falsas. Por exemplo, é notório o caso do artigo científico que falsamente ligou a vacina tríplice viral ao autismo – a revista posteriormente se retratou, mas ainda usam esse falso estudo para atacar a vacinação de crianças. Além disso, argumentam os antivaxxers que os pais têm o direito de não vacinar seus filhos por questões de consciência ou religiosa. Ainda que a preocupação com a segurança de intervenções biomédicas e a sua aplicação baseada em decisão informada seja um argumento válido, ele acaba sendo distorcido e tem resultados nefastos como surtos de doenças já controladas, como é o caso do sarampo em várias regiões do mundo.

Quais são os principais benefícios da vacinação?
Laura Gastaud: Vacinação é um ato coletivo, ao se vacinar você está se protegendo e está automaticamente fazendo prevenção coletiva da doença. Ao longo dos anos, várias doenças foram erradicadas com vacinação, os benefícios são imensos. Muitas vidas foram salvas, a expectativa de vida da população mundial aumentou desde que se tem vacina para várias doenças infecciosas.

Se a vacina é uma das principais e mais efetivas formas para prevenir doenças, por que continua sendo tão mal aceita por alguns grupos?
Antonio Flores: Os grupos que rejeitam as vacinas embasam seu posicionamento em informações falsas e teorias conspiratórias. A principal razão pela qual as pessoas deixam de vacinar seus filhos ou a si mesmas é a crença em riscos exagerados ou inexistentes.

Como fazer para que as pessoas se convençam do contrário?
Laura Gastaud: Fazer circular o maior número possível de informações corretas e desmistificar ideias erradas e fake news sobre vacinas. Logo que iniciamos o projeto InfectoNet, abordamos a pauta do movimento anti-vacinas, trouxemos alguns textos e informações relevantes sobre esse assunto.

O que pode ter ocasionado o surto de sarampo ocorrido no Brasil nos últimos meses? E o que é necessário para mudar esse cenário?

Laura Gastaud: O surto de sarampo no Brasil é consequência de uma cobertura vacinal não adequada. Já está ocorrendo a campanha nacional de vacinação contra o sarampo, justamente para que se tente parar com a transmissão e aparecimento de novos casos. Do dia 7 a 25 de outubro, o foco foi imunizar crianças de 6 meses a menores de 5 anos de idade. E, a partir do dia 18 de novembro, a campanha será direcionada para adultos na faixa etária de 20 a 29 anos que não estão com a vacinação em dia. A meta é vacinar 2,6 milhões de crianças na faixa prioritária e 13,6 milhões de adultos.